Grevistas apresentam contraproposta a reitores, que se comprometem a analisar excedentes orçamentários
O atual imbróglio centra-se no reajuste salarial, cujo índice de 1,5% proposto em 17 de maio
por Flávio Fogueral
A greve dos professores e servidores técnico-administrativos da Unesp prossegue sem uma definição efetiva e intransigência das esferas administrativas centrais. Na reunião promovida na quarta-feira, 13, o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), não aceitou a contraproposta apresentada pelo Fórum das Seis, entidade que reúne os principais sindicatos funcionais e docentes de USP, Unesp e Unicamp.
O atual imbróglio centra-se no reajuste salarial, cujo índice de 1,5% proposto em 17 de maio, foi recusado por servidores e professores. Durante a reunião, os sindicatos pediam que os reitores reconhecessem as perdas salariais de 2015 a 2018, estimadas em 12%, no caso de USP e Unicamp; e 16% na Unesp.
Em greve desde 27 de maio, servidores e professores pedem reposição salarial de 3%, além do pagamento deste mesmo índice prometido pela reitoria da universidade em 2015, e que nunca foi incorporado aos vencimentos.
Também solicitaram o acompanhamento mensal na arrecadação do repasse que as universidades paulistas recebem do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), estimado em 9,5% ou R$ 7,8 bilhões em 2017.
Outros pedidos referem-se a plano de recuperação salarial com base na destinação do próprio ICMS com a aplicação quadrimestral sendo que 80% para os vencimentos, 10% para contratações e carreira, além de 10% para a permanência estudantil. Dentro do plano de recuperação salarial, foi proposto reajuste imediato e retroativo a maio de 2018, de 6,14%.
Como resultado efetivo, o Cruesp se prontificou a agendar uma reunião técnica para julho, após a Copa do Mundo, para avaliar a contraproposta e também a situação orçamentária relativa ao segundo semestre. No entanto, em comunicado oficial assinado pelo presidente da entidade Vahan Agopyan (reitor da USP), os gestores criticaram os novos termos das categorias grevistas.
Mesmo reconhecendo “ a importância da recomposição do poder de compra dos salários em face de defasagens vivenciadas nos três últimos anos”, conforme explanam na nota, os reitores mantiveram a proposta de 1,5% de reajuste.
No entanto, os gestores universitários se propuseram a “avaliar os eventuais excedentes financeiros, diante das despesas já comprometidas e que serão realizadas este ano com contratações, carreira, permanência e itens das pautas específicas, e analisar a possibilidade de concessão de novo reajuste salarial no segundo semestre”, sintetiza a nota.
Uma nova rodada de negociação foi agendada entre Cruesp e Fórum das Seis para 28 de julho. Enquanto isso, assembleias regionais avaliarão os rumos da paralisação. Nesta sexta-feira, 15, uma reunião dos professores será realizada no Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo. No dia 18, a partir das 9h30, uma assembleia será promovida na sede da Associação dos Docentes, no câmpus de Rubião Júnior.
Adesão é parcial em Botucatu e festa junina da greve é cancelada
Em Botucatu a adesão é parcial, com aulas suspensas integralmente apenas no Instituto de Biociências (IB) e parcialmente nas demais unidades (Faculdades de Medicina; de Medicina Veterinária e Zootecnia; e de Ciências Agronômicas).
O Hospital das Clínicas não tem mais adesão ao movimento por pertencer à Secretaria de Estado da Saúde e ter o suporte da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Organização Social que atua na instituição.
Estava agendada para a tarde desta quinta-feira, 14, um “arraiá da greve” na Associação dos Docentes da Unesp de Botucatu, no câmpus de Rubião Júnior. O evento, no entanto, foi cancelado e, até o fechamento da edição, representantes do movimento grevista não informaram os motivos oficiais. Alguns grevistas, no entanto, declaram que o ato deixou de ocorrer por falta de adesão.

