Plano de saúde da Unesp terá corte em subsídio

A primeira modificação será quanto ao reajuste dos planos, que terão  incremento de 6,45% nas mensalidades

por Flávio Fogueral

Servidores e beneficiários do plano Unesp Saúde, ofertado em convênio com a Unimed Fesp – Federação das Unimeds do Estado de São Paulo, terão mudanças em seus benefícios, conforme anunciado na última semana pela universidade.

A primeira modificação será quanto ao reajuste dos planos, que terão o incremento de 6,45% nas mensalidades. O reajuste valerá a partir de 1º de dezembro e consta em contrato estabelecido. O valor está acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial no Brasil em 2018 fechou em 3,75%. 

Mesmo assim, o reajuste aplicado nos planos do Unesp Saúde estão de acordo com o estabelecido em julho pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), cujo teto é de 7,35%, e que valerá aos planos de saúde individuais ou familiares com aniversário no período de maio de 2019 a abril de 2020.

As mensalidades do Unesp Saúde possuem 20 tetos que variam conforme a faixa salarial do servidor e do subsídio oferecido pela reitoria, que pode variar de 8% a 10%. Ou seja, os descontos em folha estão entre R$ 127,77 a R$ 2.144,05. 

Os planos contemplam cobertura em diversos atendimentos, mas variam quanto aos padrões de acomodação, em caso de internação: básico (enfermaria coletiva, dependendo do hospital); especial e/ou master (apartamento individual com banheiro privativo).

Será justamente na modalidade especial que o subsídio- ou “patrocínio” como a administração da Unesp Saúde denomina- será encerrado a partir de dezembro. Segundo o órgão, o motivo deve-se a atual conjuntura econômica da Unesp. A universidade atravessa momento financeiro conturbado, com atrasos no pagamento do 13º salário a servidores estatutários e reajustes abaixo da inflação.

A reitoria da Unesp não especificou, por exemplo, quantos servidores serão afetados diretamente com a decisão. Ressaltou, por meio de nota, que o encerramento do subsídio da modalidade especial vem a contemplar reforço em outras contratações, em especial do plano básico que, segundo a administração universitária, contempla número maior de beneficiários. O incremento será de R$ 1,1 milhão no valor de patrocínio. 

Por outro lado, a mudança gera críticas em representantes sindicais. Segundo Alberto de Souza, coordenador político do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), o corte do subsídio representa mais uma retirada de direitos aos servidores. “Para o servidor na ativa ou aposentado será uma perda significativa no plano que é ofertado. Nossa reivindicação é que a Unesp oferecesse um subsídio amplo, que contemplasse o plano como um todo”, salienta. 

Segundo ele, a universidade desembolsa R$ 17 milhões para o pagamento de subsídios no Unesp Saúde. Para que todas as modalidades fossem contempladas, em seus cálculos, o patrocínio necessário deveria receber um incremento de R$ 2,5 milhões no total repassado. 

Para Souza, com o desequilíbrio orçamentário da universidade aliado aos reajustes abaixo da inflação- em 2019 o aumento salarial foi de 2,2% tendo a inflação em 4,75%-, o pagamento com o Unesp Saúde a partir de dezembro terá um impacto maior nos rendimentos dos servidores.  “O reajuste que está sendo passado será arcado pelo próprio servidor, que não tem aumento salarial há anos. Isso faz com que o plano de saúde sofra estas mudanças. Caso os salários tivessem reajustes reais nos últimos anos, diversos servidores passariam de suas faixas atuais e teriam descontos suficientes para minimizar os subsídios”, frisou.