Botucatu: grupo de mulheres divulga carta de repúdio contra a violência sexual

Manifesto ocorre após denúncia de estupro contra uma adolescente

Da Redação

O grupo União de Mulheres na Política, que reúne entidades, partidos políticos e populares, divulgou carta aberta onde pede maior empenho das autoridades para coibir a violência sexual em Botucatu.

A divulgação do manifesto ocorre após a denúncia do caso de estupro cometido contra uma adolescente de 15 anos, na última semana, no banheiro público da Praça Emílio Pedutti (Bosque). Na oportunidade, a vítima teria sofrido os abusos de um homem desconhecido e que veio a desferir um tapa na cara antes de fugir.

A investigação está a cargo da Polícia Civil, que analisa possíveis imagens de câmeras de vídeo, além das características físicas do acusado. Até o momento nenhum suspeito foi preso.

Neste ano foram registrados cinco casos de estupro contra vulnerável, segundo estatísticas da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Leia o manifesto:

CARTA ABERTA DA UNIÃO DE MULHERES NA POLÍTICA EM BOTUCATU

Botucatu, 23 de abril de 2022.

Com muita indignação, nós, União de Mulheres na Política em Botucatu vimos a público demonstrar nossa extrema preocupação diante de mais um caso de violência contra as mulheres em nossa cidade.

No dia 20 de abril, numa tarde de quarta-feira, uma menina de 15 anos que aguardava sua mãe na Praça do Bosque foi estuprada dentro do banheiro público. Demandamos que esse crime seja investigado, julgado e o criminoso sofra ação legal cabível pela Lei Maria da Penha. A jovem agredida e sua família devem ter acesso a todas as medidas protetivas que se possam fazer necessárias pela dimensão da violência de gênero.

Além disso, é responsabilidade do poder público garantir a proteção e prevenção de todo tipo de violência contra a mulher. De acordo, com notícia veiculada pelo portal G1 os números de violência contra a mulher em nossa cidade só aumentam, não apenas em número, mas também na forma violenta como acontecem: assassinatos, estupros, agressões .
Sabemos ainda, que os registros policiais de violência doméstica são apenas a ponta do iceberg desse problema que afeta as mulheres.

A violência ocorre cotidianamente, seja através de controle, xingamentos, assédio moral e sexual, mas também da discriminação no mercado de trabalho e da falta de uma rede de apoio e assistência que permitam às mulheres saírem de um círculo de violência buscando sua independência e autonomia econômica.

Mulheres jovens, idosas, negras são agredidas e assediadas em suas casas, no transporte público, no local de trabalho, em momentos de lazer, mesmo quando explicitamente dizem “não”.

A violência contra mulher deve ser combatida. Exigimos que a Prefeitura Municipal de Botucatu e a Câmara Municipal aprovem recursos e estrutura necessária para políticas preventivas e educativas de combate à violência contra a mulher:

– servidores e agentes públicos com formação e treinamento para prevenção e atendimento de mulheres vítimas de violência, em especial nas áreas de segurança e assistência;
– iluminação pública nas ruas, praças, pontos de ônibus;
– campanha de prevenção a violência doméstica e contra as mulheres: nas escolas, nos ônibus, locais de trabalho, postos de saúde;
– canais de denúncia seguros e acolhedores;
– estruturação da Rede de Atendimento à mulher em situação de violência no Município;
– programas de formação e qualificação profissional para mulheres com fins de garantir sua autonomia econômica.

Continuaremos denunciando e lutando contra todas as formas de violência e opressão!

UNIÃO DE MULHERES NA POLÍTICA EM BOTUCATU

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