Espetáculo inspirado em poema de Carlos Drummond será encenado em Botucatu
Com entrada gratuita, a apresentação contará com Intérprete de Libras
Da Redação
Qual o paradeiro de Luísa Porto? Personagem emblemática da consciência criativa de Carlos Drummond de Andrade, a mulher, que habitava a Rua dos Santos Óleos, pode ser atualmente encontrada no palco. Fruto da inquietação e do fascínio da atriz Graziele Garbuio pelo poeta mineiro, solo teatral O Desaparecimento de Luísa se torna um convite para reviver em cena o tal mistério do sumiço. Em Botucatu (SP), o espetáculo será encenado sábado (21), às 20 horas, no Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci. Com entrada gratuita, a apresentação contará com Intérprete de Libras.
A circulação do espetáculo faz parte do projeto Ações para não Desaparecer, contemplado pelo Edital Produção e Temporada de Espetáculo Teatral Inédito, do ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas, do Governo do Estado de São Paulo. Além de 12 apresentações do solo por diversas cidades do interior e do litoral de São Paulo, com recursos de acessibilidade em Libras e Audiodescrição, a ação prevê a realização de uma oficina. Em Botucatu (SP), a temporada conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura.
A semente do solo, que tem concepção, direção e atuação assinadas pela atriz Graziele Garbuio, foi lançada em março de 2024. Para transformá-lo em texto teatral, a atriz convidou Gabriela Guinatti, escritora, dramaturga e diretora teatral. A tarefa não foi nada fácil, reconhece a artista. “O maior desafio de adaptar um poema para a cena é que, ao fazer essa adaptação, precisamos encontrar nas entrelinhas do poema a ação que desencadeia a próxima, e assim sucessivamente, pois é dessa forma que se constrói um texto dramatúrgico. O poema parte do subjetivo, de uma palavra colocada para contemplar uma sensação. Já no texto dramatúrgico, é preciso que a palavra se some a uma ação, para que dela surja o movimento, a ação em si”, conta.
Apesar da grande inspiração pelo poema, a dramaturgia em cena é fruto de um intenso processo criativo e coletivo, que resultou em uma fábula totalmente original, mas com características muito presentes na obra drummondiana, entre elas a ironia, a criação de imagens metafóricas, o ato de dizer sem dizer e o compromisso crítico da arte. “Esse texto foi construído pensando em cada palavra. Quando a gente faz esse trabalho artesanal com a palavra no texto teatral, acaba tomando apreço por cada vírgula que está ali”, avalia Gabriela.
Na cena, a atriz Graziele Garbuio interpreta diversas personagens, como Maria, a mãe, e Rita, a melhor amiga de Luísa. Ao longo da narrativa, o solo busca despertar diversas sensações no íntimo do espectador. Graziele dá spoilers: qualidades de emoção e reflexão. “A trama apresenta um mistério e mostra como ele se entrelaça com a particularidade dos indivíduos e suas histórias pessoais. É possível que cada espectador saia da peça com um pensamento próprio, uma percepção única. Ou, melhor dizendo, é possível que nossa história ecoe em cada um de um jeito diferente”, completa.
Mas, afinal, quem é Luísa? A atriz e dramaturga concordam: uma das tantas mulheres que existem por aqui, pelo mundo. Uma mulher que tem mãe, que tem amiga, que tem sonhos. E quais perguntas sua travessia deixa ao íntimo do espectador? “São profundas, complexas e abrangentes, como: por que determinadas coisas acontecem com determinadas pessoas? Por que escolhemos viver de uma forma e não de outra? Ou por que tratamos certas situações da vida e determinadas relações de um jeito e não de outro?”, instiga a atriz.
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 min
SAIBA MAIS
O quê: O Desaparecimento de Luísa, solo de Graziela Garbuio
Quando: Sábado (21/2), às 20h
Onde: Teatro Municipal Camillo Fernandez Dinucci (Praça Coronel Rafael de Moura Campos, 27, Centro, em Botucatu | SP)
Quanto: Entrada gratuita
Importante: Haverá acessibilidade em Libras.


