Reciclagem do plástico é foco de projeto desenvolvido pela Unesp Botucatu

Projeto visa conscientizar a comunidade sobre o uso racional do plástico 

Da Redação

O descarte inadequado do plástico é um dos principais desafios ambientais da atualidade. Além dos impactos visíveis na natureza, a ciência tem demonstrado que partículas microscópicas derivadas desse material também podem afetar diretamente a saúde humana. É a partir desse alerta que o Instituto de Biociências de Botucatu (IBB/Unesp) lançou o projeto de extensão RePense o Plástico, iniciativa que integra conhecimento científico, consciência ambiental e mobilização solidária.

Coordenado pelo professor Wellerson Scarano, o projeto surgiu a partir das pesquisas do grupo que investiga os efeitos biológicos de micro e nanoplásticos. Essas partículas, invisíveis a olho nu, já foram identificadas no ar, na água, nos alimentos e até no organismo humano.

O projeto também dialoga com as pesquisas desenvolvidas pelo professor no IBB/Unesp em colaboração com a Universidade de Illinois nos Estados Unidos, voltadas à investigação dos efeitos de micro e nanoplásticos  em modelos experimentais e células humanas, com resultados já publicados em periódicos científicos internacionais.

Segundo o docente, os estudos mostram que substâncias derivadas do plástico podem provocar diferentes alterações no corpo, o que reforça a necessidade de ampliar o debate para além do ambiente acadêmico. A proposta, portanto, é aproximar a ciência do cotidiano das pessoas e incentivar mudanças práticas de comportamento.

Ciência aplicada ao dia a dia

O RePense o Plástico tem como objetivo conscientizar a comunidade sobre o uso racional do plástico, estimular a redução de descartáveis e orientar sobre formas mais responsáveis de consumo e descarte.

A iniciativa promove ações educativas, divulgação de informações baseadas em evidências científicas e atividades de engajamento dentro e fora da universidade. A ideia é mostrar que pequenas atitudes, como evitar recipientes plásticos para alimentos quentes ou diminuir o uso de embalagens de uso único, podem contribuir para a proteção da saúde e do meio ambiente.

Pesquisas recentes indicam que micro e nanoplásticos podem atravessar barreiras biológicas e alcançar órgãos como placenta e ovários, desencadeando processos inflamatórios e hormonais. Esses achados reforçam que a poluição plástica deve ser compreendida também como uma questão de saúde pública, contexto que fortalece a relevância das ações educativas propostas pelo projeto.

Sustentabilidade com impacto social

Além do viés educativo, o projeto incorpora uma frente solidária. O Instituto tornou-se ponto de arrecadação de tampinhas plásticas e lacres de latinhas, que serão destinados à Associação Tampinhas que Curam, organização socioambiental sem fins lucrativos.

Todo o material coletado é encaminhado para reciclagem e os recursos obtidos são revertidos para apoiar o tratamento de crianças e adolescentes com câncer. A ação transforma resíduos do cotidiano em apoio concreto a famílias que enfrentam momentos de vulnerabilidade, unindo sustentabilidade e solidariedade em uma mesma iniciativa.

Pontos de coleta no câmpus

A comunidade acadêmica e a população podem participar entregando os materiais nos pontos de coleta instalados nos câmpus da Unesp em Botucatu, nas unidades de Rubião Júnior e Lageado.

Podem ser doadas tampinhas plásticas de embalagens de água, leite, refrigerante, produtos de higiene e limpeza, entre outras, além de lacres de latinhas.

No câmpus de Rubião Júnior, os pontos de coleta estão distribuídos em diferentes espaços para facilitar a participação da comunidade acadêmica. As doações podem ser feitas na Diretoria do Instituto de Biociências, na Biblioteca, no STAEPE, no Departamento de Morfologia e no Departamento de Microbiologia. Também há coletores instalados na Unidade de Pesquisa Experimental (UNIPEX) e na Central de Aulas da Faculdade de Medicina de Botucatu. Nesses locais, são arrecadadas tampinhas plásticas dos tipos PP e PEAD e lacres de latinhas, que seguem para reciclagem e têm a renda revertida para ações solidárias de apoio ao tratamento de crianças e adolescentes com câncer.