Botucatu: adolescente perde testículo por atraso em transferência hospitalar

Jovem passou por cirurgia de urgência, mas a equipe médica precisou extrair o testículo direito

Da Redação

Um adolescente de 15 anos teve o testículo direito removido cirurgicamente após aguardar mais de 12 horas por uma transferência médica em Botucatu. O jovem apresenta um quadro de torção testicular, emergência médica que exige intervenção imediata para evitar a morte do órgão. A família denuncia negligência da rede municipal de saúde.

O caso começou na sexta-feira (6). O jovem buscou atendimento sozinho na Unidade de Saúde da Família de Rubião Júnior às 11 horas. Após suspeita da lesão, a equipe acionou a mãe e encaminhou o paciente ao Pronto-Socorro Adulto (PSA), onde deram entrada às 14h30.

O médico do PSA confirmou a suspeita e solicitou a transferência para o Hospital das Clínicas (HC) da Unesp via sistema Cross. Segundo o HC, o pedido chegou às 17h07 e o aceite foi imediato, às 17h30. A partir desse momento, a responsabilidade pelo transporte era da Prefeitura de Botucatu.

A administração municipal afirma que o adolescente não foi localizado no PSA para a remoção e registrou o caso como evasão. A mãe contesta a versão: ela afirma que permaneceu na unidade com o filho até as 23h30 e que funcionários informaram repetidamente que aguardavam a liberação da vaga pela Unesp. No HC, a família descobriu que a vaga estava disponível desde o fim da tarde.

Caminhada de oito quilômetros e cirurgia

Devido à intensidade das dores e à demora no socorro, o adolescente saiu do PSA à noite e caminhou sozinho cerca de oito quilômetros até o Hospital das Clínicas. Ele deu entrada na emergência do HC às 2h de sábado (7).

O jovem passou por cirurgia de urgência, mas a equipe médica precisou extrair o testículo direito devido ao tempo transcorrido sem circulação sanguínea no órgão. Médicos informaram à família que o atraso quase provocou a perda também do testículo esquerdo. O adolescente recebeu alta no domingo (8) e se recupera em casa.

 A mãe registrou reclamação na ouvidoria do município e critica a falta de comunicação no PSA, afirmando que teria providenciado transporte particular se soubesse que a vaga estava liberada.

A Prefeitura de Botucatu alega que o paciente não foi encontrado para o transporte por ambulância e que o atendimento foi encerrado por evasão conforme protocolos. Afirma possuir duas ambulâncias exclusivas para esse trajeto. Já o Hospital das Clínicas reitera que o aceite da vaga ocorreu apenas 23 minutos após a solicitação oficial.