Operação da Polícia Civil mira esquema de fraude no setor agropecuário

Fraude atinge produtores rurais e uma cooperativa agroindustrial da região

Da Redação

A Polícia Civil cumpriu na quinta-feira, 19 de março, mandados de busca e apreensão nas cidades de Paranapanema, Itaí e Ourinhos, no âmbito da Operação “Fictus”, que investiga um esquema estruturado de fraude no setor agropecuário. A ação foi deflagrada a partir de investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Paranapanema e apura prejuízo estimado em R$ 3,47 milhões, atingindo produtores rurais e uma cooperativa agroindustrial da região.

Diligências ocorreram em diversos endereços residenciais, comerciais e até em áreas rurais, incluindo imóveis situados nos bairros CDHU Novo, Campos de Holambra e região central de Paranapanema, além de locais em Itaí e Ourinhos, conforme registros oficiais dos cumprimentos dos mandados. A simultaneidade das ações buscou evitar a dispersão de provas e garantir maior efetividade à operação.

De acordo com a investigação, o esquema criminoso consistia na criação e utilização de créditos fictícios de ICMS, inseridos em sistemas oficiais, especialmente no ambiente eletrônico e-CredRural, mediante adulteração de documentos e manipulação de dados fiscais. Os valores inexistentes eram apresentados como legítimos, induzindo produtores rurais a erro.

A apuração aponta que os investigados ofereciam uma espécie de “consultoria tributária”, prometendo a utilização desses créditos para compensação de débitos junto à cooperativa. Como contrapartida, exigiam o pagamento de comissões, em alguns casos equivalentes a 10% dos valores envolvidos, o que gerava prejuízos diretos às vítimas, além de comprometer a regularidade fiscal das operações.

O modus operandi incluía o uso de acesso privilegiado a sistemas fiscais, manipulação de registros contábeis e utilização de certificados digitais, o que permitia a inserção de dados falsos com aparência de legalidade. Há indícios de que o esquema funcionava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os envolvidos, indicando estabilidade e permanência da associação criminosa.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos diversos itens relevantes para a investigação, como celulares, notebooks, agendas com anotações, folhas de cheques, máquinas de cartão e outros dispositivos eletrônicos. Também foram localizados e apreendidos veículos vinculados aos investigados, incluindo automóveis de médio e alto padrão, que poderão ser analisados quanto à eventual relação com a atividade criminosa.

Os materiais recolhidos serão submetidos à perícia, com foco na extração de dados digitais, análise de comunicações e rastreamento de fluxos financeiros. A Polícia Civil também busca acessar registros de sistemas oficiais, como logs de acesso e trilhas de auditoria, para identificar a origem das inserções fraudulentas e os responsáveis pelas operações.

A investigação originou-se de auditoria interna da cooperativa vítima que detectou inconsistências no uso de supostos ‘créditos fiscais’. Apurou-se que, no estágio final da fraude, tais créditos eram convertidos em compra de insumos pelos próprios cooperados, gerando um prejuízo milionário. O esquema, mantido de forma continuada por anos, apresentou indícios de persistência mesmo após o desligamento de alguns dos envolvidos.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Paranapanema, com apoio da Delegacia de Polícia de Itaí, das unidades especializadas DIG de Avaré e DIG de Ourinhos, além do suporte da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal. A atuação integrada foi essencial para o cumprimento simultâneo das ordens judiciais e para a segurança das equipes.

 As investigações prosseguem em fase de aprofundamento, com a análise do material apreendido e a continuidade das diligências. O objetivo é esclarecer integralmente a dinâmica do esquema, identificar todos os envolvidos, inclusive eventuais novos participantes, e viabilizar a recuperação dos valores desviados, reforçando o combate a fraudes que impactam diretamente o setor produtivo regional.