Setembro Amarelo: saiba o que é e como praticar a escuta ativa

O primeiro passo para escutar o outro é dar atenção total a ele naquele momento

Da Redação

Há diferença entre ouvir e escutar. Escutar é ouvir o outro de forma interessada, empática, buscando entender suas preocupações e dores, e sem pré-julgar. É uma atitude simples, mas que ajuda muito na qualidade dos relacionamentos familiares, amorosos, entre amigos e até na vida profissional. E é ainda mais importante quando se trata de formar uma rede de apoio à saúde mental, de prevenção de atitudes extremas.

Em época de restrição de convívio social, mesmo nas conversas a distância, é preciso estar atento a pessoas que são depressivas ou estejam sofrendo, muitas exatamente por causa da pandemia e suas consequências. Além de escutar, interpretar sinais que podem indicar que algo não está bem e, dependendo da situação, aconselhar buscar ajuda profissional, são atitudes que fazem diferença, afirma a psicóloga Mariane Garcia dos Santos.

A escuta empática ou escuta ativa é o que prega o Setembro Amarelo, movimento de prevenção ao suicídio com base numa rede de apoio, que possa ajudar quem precisa e incentivar a busca por auxílio. O primeiro passo para escutar o outro é dar atenção total a ele naquele momento. Isso significa deixar o celular de lado, desligar ou baixar o volume da TV ou fazer uma pausa no trabalho. A boa comunicação demanda estar de forma integral no momento. Até porque escutar vai além de ouvir e entender as palavras proferidas, acrescenta Mariane.

“É preciso também prestar atenção aos sinais não verbais. A postura da pessoa, sua face e seus olhos podem indicar se está ou não confortável, feliz, tensa, apreensiva ou triste. A maneira como conta uma história também ajuda nesse entendimento. Se conta algo sério de forma mais cômica pode estar tentando tirar o peso daquilo ou se conta algo alegre mas está com expressão triste denota que não está sendo transparente”, exemplifica a psicóloga.

Numa escuta ativa, o ouvinte tem de captar todos estes sinais e estabelecer o diálogo de forma aberta, respeitosa e empática. Perguntar como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo. Manifestar sua preocupação e se mostrar aberta para ouvir. Por outro lado, deve evitar fazer julgamentos, falar de si, oferecer soluções simples ou menosprezar o problema relatado.

“Você expressar sua opinião ou sua experiência desvaloriza a dor do outro. Você pode não sentir a dor daquela forma, mas o outro naquele momento está sentindo daquela forma. Por isso é importante guardar nossa opinião e acolher o outro. Só opinar se o outro pedir. Mesmo assim, coloque sua opinião ou experiência com muito cuidado. Deixar claro que é natural que a forma que você lidou com aquela situação não seja da mesma maneira que o outro está lidando”, detalha Mariane.

Frases como “tudo vai passar”, “tem gente em situação pior”, “tenha fé” e “não precisa chorar por isso” não ajudam a pessoa que está sofrendo. Ao contrário: ela pode encerrar a conversa, alerta a psicóloga. Na escuta ativa, o mais importante é demonstrar interesse – e não omitir opiniões. “É estar conectado à pessoa, dar feedback de que você entendeu o que ela está dizendo, deixá-la confortável para que ela se sinta acolhida e pegar as deixas para questionar, porém sem forçá-la a falar mais do que está disposta. Se é para dar conselho, oriente a buscar ajuda profissional”, finaliza a psicóloga.

Dez dicas para uma escuta ativa/empática

1 – Dê atenção total à pessoa – deixe o celular de lado/desligue a TV/faça pausa no trabalho;

2 – Se possível, busque um lugar tranquilo e reservado para conversarem;

3 – Tente deixar a pessoa que está falando o mais confortável possível;

4 – Olhe no rosto de quem está falando. Além de ouvir, perceba os sinais não verbais da face e mãos;

5 – Demonstre interesse pelo que a pessoa fala. Muitas vezes, o que ela precisa é só ser ouvida;

6 – Deixe claro que você entende o problema e faça perguntas sobre o assunto;

7 – Não emita opinião, exceto se solicitada; não julgue os sentimentos e as ações da pessoa que está falando;

8 – Não apele para clichês como “tudo vai passar” e “tenha fé”;

9 – Não desvalorize o sofrimento alheio com frases como “já passei por coisas piores”;

10 – Avalie a situação e, se for o caso, sugira que a pessoa procure ajuda profissional.