João Mathias é condenado a 37 anos de prisão por duplo assassinato
Pena foi atribuída devido ao duplo assassinato ocorrido em 2014, durante uma festa no bairro do Guarantã
Texto e Fotos: Flávio Fogueral
O empresário João Alberto Mathias foi condenado a 37 anos de reclusão em regime fechado pelos assassinatos de Sueli Aparecida Pereira, 38, e Ademir Matias, 29. Todo o júri ocorreu nesta quinta-feira, 23, no Fórum de Botucatu e foi marcado pela grande repercussão e presença do público. A sentença só foi conhecida na madrugada desta sexta-feira, 24.
O crime ocorreu em 7 de dezembro de 2014 durante uma festa religiosa no bairro de Guarantã, zona rural de Botucatu. Na ocasião, Sueli- que era ex-namorada de João Mathias-, e Ademir foram alvejados por disparos de um revólver calibre 38 (cuja numeração da arma estava raspada). As vítimas mantinham um relacionamento há quatro meses.
Sueli, que recebeu três tiros, chegou a ser socorrida ao Pronto Socorro do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), mas não resistiu aos ferimentos. Já Ademir foi alvejado por dois disparos e morreu no local. Durante o crime, populares tentaram linchar João Mathias, que fugiu para Botucatu em um Chevrolet Monza. Foi perseguido pela Polícia, sendo detido finalmente na Rua João Morato da Conceição, Vila Maria.
Ao ser preso, João Mathias confessou o crime dizendo que “tinha feito uma grande besteira”.

Leia Mais: Empresário comete duplo homicídio no Guarantã
A sentença de Mathias veio após um júri que chamou a atenção do público pela notoriedade do caso. A família do réu não compareceu ao julgamento. Foram escolhidas seis mulheres para compor o corpo de jurados. Os advogados de defesa do acusado eram José Roberto Pereira e Rita de Cássia Barbuio. Já na acusação, houve trabalho do promotor Marcos Corvino, além de Mariana Percário como advogada assistente de acusação. O tribunal foi presidido pelo juiz titular da 2ª vara criminal, Henrique Latarola.
No período da manhã, as dez testemunhas (incluindo policiais que atenderam ao caso quanto familiares e presentes à festa em Guarantã), deram seus relatos sobre o fato; além do relacionamento que João Mathias teve com Sueli durante anos. Um irmão de Ademir Matias frisou que a família já sabia do relacionamento entre ambos há, pelo menos, quatro meses. Também ressaltou que a vítima recebeu ameaças pessoalmente e por telefone.
Um irmão de Sueli foi uma das primeiras testemunhas a depor e ressaltou das ameaças recebidas pela mulher. Já a defesa pautou-se pelo relacionamento conturbado entre Mathias e Sueli.
A defesa deverá entrar com recurso contra a sentença. Há a possibilidade de que seja solicitado um novo júri, ou uma revisão da pena.

Réu já foi preso por contrabando
Em 2009 João Mathias foi preso durante operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – Núcleo Bauru, em conjunto com as Polícias Militar e Civil, em repressão à lavagem de dinheiro. Foram apreendidos na época grande volume de mercadorias contrabandeada, inclusive cigarros com a importação ilegal. Além disso, mais de R$ 50 mil, US$ 12 mil, euros e libras esterlinas. Junto com Mathias, foram presos à época, sua ex-mulher e um dos filhos.

