Para atingir meta de vacinação contra aftosa, Defesa Agropecuária intensificará ações com proprietários

Nesta etapa foram 112.191 animais de zero até vinte e quatro meses de idade cadastrados

por Flávio Fogueral

Fator crucial para a certificação da qualidade da carne para consumo e exportação, além de ser fundamental para a saúde pública, a vacinação contra a febre aftosa tem alcançado altos índices na região. Na segunda etapa da vacinação, realizada em novembro, a imunização contra a doença atingiu 98,75% do rebanho bovídeo (bovinos e bubalinos) existente nos onze municípios que integram a Defesa Agropecuária do Estado em Botucatu.

Nesta etapa foram 112.191 animais de zero até vinte e quatro meses de idade cadastrados, 110.448 receberam a imunização contra a doença. Somente na região de Botucatu, o total de rebanho de bovídeos é superior a 300 mil animais, segundo o Escritório da Defesa Agropecuária local.

Devido a isso, o percentual registrado na região manteve-se na média com todas as demais do Estado, que variam entre 98% e 100%. Como efeito de comparação, as regionais de Avaré (100%), Bauru (99,81%) e Jaú (99,96%), respectivamente, tiveram desempenho próximos ao botucatuense.

A vacinação contra a febre aftosa é obrigatória em todo o Estado de São Paulo, sendo realizada em duas etapas, com os animais de zero a vinte e quatro meses vacinados em novembro e o restante do rebanho, em maio. Desde 2018, o cronograma sofreu alteração para alinhamento com o calendário nacional.

Segundo Francisco Pereira Neto, médico veterinário e diretor do escritório regional de Botucatu da Defesa Agropecuária, a imunização não foi contemplada em sua totalidade devido a fatores como a própria mudança do calendário a criadores que deixaram de notificar as autoridades sobre a vacinação. “Algumas propriedades possuem poucas cabeças ou mesmo encontramos proprietários que antes eram cadastrados no órgão, mas que deixaram as atividades de pecuária. Por isso, estamos em contato com os produtores para atualizar os dados e, indagar as motivações dos mesmos não terem realizado a   vacinação ou mesmo notificado o Estado”, salienta.

Os criadores que deixaram de vacinar, ou deixaram de informar, foram notificados pelo órgão oficial de Defesa Agropecuária. A autuação pelo descumprimento da legislação é de 5 Ufesps por cabeça por deixar de vacinar, e 3 Ufesps por cabeça por deixar de comunicar. O valor da Ufesp – Unidade Fiscal do Estado de São Paulo para 2019 é de R$ 26,53.

Além da mudança no calendário, os proprietários de rebanho ainda terão outras mudanças significativas. Uma delas é a introdução de um novo tipo de vacina que imuniza os animais em três diferentes sorotipos da febre aftosa. “O que ocorre é que nas Américas há diferentes tipos de vírus da febre. Isso varia de cada região. Por isso o Brasil está ampliando o escopo de imunização que os proprietários terão que se adaptar até 2021. Isso visa tornar o país livre da doença até 2023”, complementa Pereira Neto.

O escritório da Defesa Agropecuária do Estado, além de Botucatu, agrega mais de 4.800 propriedades nos municípios de Anhembi, Areiópolis, Bofete, Conchas, Itatinga, Laranjal Paulista, Pardinho, Pereiras, Pratânia e São Manuel.

Sobre a febre aftosa

A Febre Aftosa é uma enfermidade causada por vírus, sendo uma das doenças infecciosas mais contagiosas dos animais e acomete animais biungulados como: bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos.

Esta doença pode vitimar rapidamente criações inteiras. O vírus se dissipa pelo contato entre animais doentes e susceptíveis, e pode contaminar o solo, água, vestimentas, veículos, aparelhos e instalações. O vento pode transportar o vírus.

A doença atravessa fronteiras internacionais por meio do transporte de animais infectados e da importação de produtos de origem animal (principalmente carne com osso).