Estudo sobre polinização da Unesp de Botucatu é premiado na Europa

Foram avaliados cerca de 950 estudos publicados sobre espécies ou comunidades de plantas

Da Redação

Caio S. Ballarin, aluno do programa de doutorado em Botânica, do Instituto de Biociências da Unesp Botucatu, acaba de ser premiado na 34ª Reunião Anual da Associação Escandinava de Ecologia da Polinização.

Realizada este ano pela Universidade de Northampton, na Inglaterra, trata-se da conferência mais antiga do mundo dedicada à ecologia da polinização, conservação de polinizadores, reprodução de plantas, comportamento e diversidade de polinizadores, evolução de flores e assuntos relacionados.

O biólogo foi premiado pela apresentação oral (modalidade “Flash Talk”) do trabalho intitulado “How many animal-pollinated plants are nectar-producing?” [“Quantas plantas polinizadas por animais produzem néctar?”, em tradução literal ao português].

Orientado pelo professor Felipe W. Amorim, também do IBB, Ballarin se dedica a este estudo desde 2017. Desde então tem compilado uma série de registros de espécies e comunidades de plantas. O objetivo era ter uma estimativa global da quantidade de plantas polinizadas por animais e que produzem néctar.

“O néctar é uma solução aquosa composta basicamente por água e açúcares, sendo reconhecido como o recurso mais importante oferecido pelas plantas aos polinizadores, na medida em que diversos grupos de visitantes florais, tais como abelhas, vespas, formigas, borboletas, mariposas, moscas, beija-flores e outras aves, morcegos, pequenos mamíferos e até lagartos o ingerem como parte fundamental ou suplementar de sua dieta”, argumenta Caio.

“Embora de suma importância para esses grupos de animais e, principalmente, para a estrutura da comunidade de plantas e polinizadores, pouco se sabe sobre sua distribuição em escala global e ainda não há na literatura uma estimativa precisa sobre a proporção de plantas que produzem néctar. Embora, cientistas ao redor do mundo considerem que esta proporção seja bem grande.”, complementa.

Foram avaliados cerca de 950 estudos publicados sobre espécies ou comunidades de plantas, com identificação de 7.200 espécies de plantas com flores. Deste total, 77% das plantas polinizadas por animais produzem néctar. Segundo Ballarin, a latitude pode explicar a distribuição das plantas nectaríferas pelo mundo.

Isso explicaria porque comunidades vegetais localizadas na zona tropical apresentam uma menor proporção de plantas produtoras de néctar quando comparadas às comunidades vegetais localizadas em maiores latitudes, tal como as comunidades de zonas subtropicais, temperadas e árticas.

“Essa estimativa pode ser muito importante para entender a magnitude da importância deste recurso floral para as comunidades naturais de polinizadores. Também pode servir como base para entender o grau do impacto do homem na interação entre plantas e polinizadores”, explica.

De acordo com o biólogo, diversos estudos têm mostrado que o aquecimento global, a fragmentação de habitat, o uso de agrotóxicos e a introdução de espécies invasoras podem impactar as plantas e seus polinizadores. E, por consequência, os serviços ecossistêmicos que eles oferecem.

“Sabendo que o néctar representa cerca de 4/5 dos recursos florais oferecido pelas plantas aos polinizadores e que considerável parcela de espécies vegetais de interesse comercial produzem este recurso, podemos ter uma noção mais realista do impacto das atividades humanas nas comunidades naturais, e quais as potenciais consequências para a nossa sociedade, na medida em que o néctar se encontra ameaçado por tais atividades”, finaliza.

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