Um dos principais nomes da imprensa botucatuense, Adolpho Dinucci morre aos 88

Adolpho Dinucci estava internado há dez dias no HCFMB devido a problemas relativos à idade

por Flávio Fogueral

Um dos mais tradicionais jornalistas de Botucatu, Adolpho Dinucci Venditto, morreu na manhã desta quinta-feira, 29 de junho, aos 88 anos. “Dr. Dinucci” como era conhecido, era o editor responsável pelo jornal “A Gazeta de Botucatu”, um dos mais antigos do município. Devido à saúde e idade, estava afastado da imprensa há alguns anos.

Adolpho Dinucci estava internado há dez dias no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) devido a problemas de saúde relacionados à idade; e faleceu por volta das 9h30 desta quinta-feira. Deixa a viúva a professora e também jornalista Maria da Glória Guimarães Venditto, a Glorinha Dinucci; além da filha Carmen Teresa Dinucci e a neta, a advogada Camila Dinucci Venditto Pereira. Também deixou uma irmã, Mariazinha Venditto e duas bisnetas: Antonella, com cinco anos; e Martinna, de quatro meses.

O corpo do jornalista foi cremado na manhã desta sexta-feira (30), em Botucatu. Diversos amigos, familiares, integrantes da imprensa local e membros da sociedade botucatuense acompanharam o velório. O prefeito Mário Pardini (PSDB) decretou luto oficial de três dias devido ao falecimento de Adolpho Dinucci.

Em seu perfil no Facebook, a neta do empresário e jornalista, Camila Dinucci, frisou o momento de dor da família, mas agradeceu pelos momentos vividos. “Ficam as recordações daquele que sempre fez tudo para agradar aos outros, daquele que sempre esteve presente quando alguém precisava, daquele que era bom demais e especial “pra caramba”, salientou Camila.

Apaixonado pela imprensa e filantopia

Adolpho Dinucci Venditto é natural de Barra Bonita, nascido em 1929. Por formação, é dentista, profissão que exerceu por alguns anos. Mas sua maior paixão era a imprensa. Mesmo não sendo um dos fundadores, em 1957, do jornal A Gazeta de Botucatu, o empresário teve sua imagem atrelada à publicação. Ingressou um ano depois tornando-se diretor-responsável pelo periódico a partir de 1973.

A Gazeta circulou de forma contínua, semanalmente, até 2014. O periódico foi uma as principais referências à imprensa botucatuense. Diversos jornalistas passaram pela redação de “A Gazeta”.

A Gazeta de Botucatu: atual sede do jornal é vizinha à casa de Dinucci

Dinucci foi membro honorário da Academia Botucatuense de Letras (ABL) quando, em 1998, falou sobre a importância do jornal como difusor da cultura. “Ao longo de sua história de 40 anos, suas páginas registraram todos os principais acontecimentos de Botucatu. Houve momento de alegria quando as notícias diziam respeito às conquistas no campo dos esportes, das ciências, da literatura, da política, da arte… Entretanto, cumprindo sua missão de informar, com imparcialidade, o jornal registrou perdas, tragédias, tristezas…”, assinalou em artigo publicado no livro “Jubileu de Prata-1973/1998, da Academia Botucatuense de Letras”.

O jornal era diretamente vinculado à imagem do Dr. Dinucci. Em épocas de eleições municipais sua tradicional “urna” circulava pela cidade para consultar a preferência de votos. Quase sempre acertava o resultado. A máquina tipográfica instalada na oficina da Rua Curuzu foi um dos principais avanços tecnológicos da imprensa, à época. A redação, no início dos anos 2000, mudaria de endereço, na Rua João Passos, onde ainda, mesmo sem circular, o prédio ostenta a marca “A Gazeta de Botucatu”.

Dinucci atuou, durante 30 anos, como presidente da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE) de Botucatu. Foi também diretor da antiga Serraria Anônima, ao lado do viaduto Bento Natel. Sua representatividade social era expressada por ser membro do Lions Clube de Botucatu, e integrar de forma honorária o Rotary Clube de Botucatu e a Academia Botucatuense de Letras.

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*Matéria atualizada às 11h50 de 30 de junho para acréscimo de informações e dados biográficos

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