João Cury diz preferir Alckmin a Doria como o candidato do PSDB à presidência
“Guerra Fria” no PSDB para definir candidato a presidente deve perdurar por meses, mas ex-prefeito escolheu o lado
por Flávio Fogueral
Dentro do PSDB, a grande pergunta para as eleições de 2018 é: Doria ou Alckmin? Para o ex-prefeito de Botucatu e presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), João Cury, o atual governador do Estado é o nome preferido para a disputa eleitoral à presidente da República.
A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Clube FM neste sábado (9), onde Cury, que também foi presidente do Diretório Municipal do PSDB e atualmente desponta como virtual candidato a deputado federal pelo próprio PSDB, ressaltou que o país necessita de estabilidade e de uma figura pública que “una os diferentes setores da sociedade”. “O candidato é o Geraldo Alckmin. Tenho participado de reuniões em São Paulo e procuro me envolver em questões do partido, e não faz o menor sentido apresentar outro nome nesta altura do campeonato. O Brasil não pode mais passar por sobressaltos”, disse.
Segundo o ex-prefeito, a atual crise política do país, com denúncias e delações premiadas nos escândalos de corrupção da Operação Lava-Jato e que tem, inclusive envolvimento de pessoas ligadas ao PT, PMDB e PSDB, criou instabilidade institucional. Com isso, esvaziam-se as intenções de investimentos econômicos e sociais.
“A gente não sabe o que vem por aí. Precisamos de uma pessoa com duas características que, para mim são essenciais para transmitir segurança e estabilidade. O país vive um momento de insegurança institucional muito grande. Veja hoje que viram que a Procuradoria Geral da República tinha um membro com relações com Joesley Batista (no caso da delação contra o presidente Michel Temer, do PMDB). Isso já desestabiliza o país novamente. Tem problemas hoje que todo o dia precisam ser resolvidos por causa dessas delações. O país vive uma crise muito grande institucional e perda de estabilidade. Ninguém governa sem saber se o presidente fica na semana que vem. Tudo isso tranca as pautas do Congresso”, analisou Cury.
Para ele, além dos escândalos de corrupção, a polarização política acentuada nas eleições de 2014, onde Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB)- a quem o ex-prefeito foi um dos coordenadores de campanha no interior paulista-, provocou a sensação de descrédito pela população.
“O Brasil precisa de alguém que acalme, pacifique o país. E parar com essa história de “nós contra eles”. Fico vendo, por exemplo o (Jair) Bolsonaro que usa esse discurso, aí você tem o Lula dizendo que “somos nós contra eles”. Vamos pacificar. O país precisa de um conciliador que una os brasileiros. Chega de ficar dividindo o país. É isso que vimos nos últimos anos. Precisamos de alguém que transmita essa segurança e estabilidade. Até nesse ‘problema’ que tem com o Doria, ele mantém um equilíbrio, essa ponderação e que faça o que é preciso para tirar o país da crise”, ressaltou Cury.
O ‘problema’ referido por Cury deve-se à disputa interna dentro do PSDB para o nome do candidato à presidência. Figuras como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, já expressaram sua predileção por um nome que seja contrário a de João Doria. Em recentes eventos públicos, aliados de Alckmin expressaram o desconforto dentro do partido, até mesmo hostilizando o prefeito paulistano.
Para efeito de comparação, Doria está no oitavo mês de sua gestão na capital paulista, além de ter exercido alguns cargos como secretário do turismo (1983-1986), e presidente da Embratur, entre 1986-1988. Em contraponto, Alckmin exerce seu quarto mandato como governador, além de ter sido deputado estadual, deputado federal, secretário estadual de desenvolvimento, vice-governador e prefeito de Pindamonhangaba.
Os dois candidatos, no entanto, não apresentam desempenhos satisfatórios em pesquisas como as realizadas pelo Datafolha. Em junho, o instituto ligado ao grupo Folha da Manhã- empresa do jornal Folha de S.Paulo-, ressaltou que tanto Doria quanto Alckmin têm desempenhos medianos. Alckmin é apenas o quarto nas intenções de votos, com 8% e atrás de nomes como Jair Bolsonaro e Marina Silva. Já Doria tem desempenho um pouco melhor, aparecendo com 10% das intenções. Mesmo assim, o candidato tucano é apenas o quarto colocado. A liderança é do ex-presidente Lula que, nos dois cenários, tem 30% das pretensões dos eleitores.
Midiaticamente, Doria tem promovido uma incessante caravana para se expor aos potenciais eleitores. Participa ativamente de viagens, palestras e recebe homenagens de empresários e associações diversas pelo país. Enquanto isso, Alckmin mantém uma rotina quase que exclusiva dentro do Palácio dos Bandeirantes Essa diferença foi ponderada por Cury na preferência pelo nome do governador para ser o presidenciável tucano. “O Geraldo Alckmin tem mandato. Ele foi eleito para ser governador e não pode sair e ficar andando o Brasil todo, fazendo palestra e recebendo título e, deixando o Estado de São Paulo à deriva”, salientou Cury.
“Ele tem responsabilidade de ter que governar. Porque São Paulo está em uma situação diferente dos demais Estados? Temos um governador presente. A presença do governador no dia a dia faz a diferença e isso faz com que o governo estadual ter o mínimo de estabilidade. Ele tem que sair para fazer campanha no momento certo, embora o Geraldo seja um político já reconhecido no Brasil por ser candidato à República em 2006”, frisou o ex-prefeito e atual presidente da FDE no governo Alckmin.
Mesmo tendo preferência pelo atual governador, Cury não deixou de exaltar algumas iniciativas de Doria frente à Prefeitura como o programa Corujão da Saúde, que tem promovido mutirões de exames em hospitais particulares. Objetivo é desafogar o sistema público paulistano. “Não vejo mudança transformadora. Sou suspeito para dizer. acho que o joao tem uma proposta para São Paulo, o que acho que não tenha entrado em execução. Fora o Corujão da Saúde, que acho uma iniciativa sensacional, aproveitar os hospitais privados para fazer consultas e exames que eram agurdados a anos. Praticamente reduziu a fila de espera por um exame”, disse.
Mesmo assim, o botucatuense que agora reside na capital, vê com ressalvas iniciativas como o Cidade Linda, o qual considera como ‘pontual’. Criticou, no entanto, alguns serviços de manutenção em vias públicas. “Esse Cidade Linda são ações pontuais, mas por exemplo, ando por São Paulo, o que tem de buraco pela cidade e semáforo sem funcionar”, frisou Cury.
Ainda assim, fez um mea culpa com o atual prefeito paulistano por dizer que o mandato ainda está no início. “Não conheço o orçamento da capital, mas o Doria diz que pegou a cidade com déficit de R$ 7 bilhões e por isso deve ter feito esse programa de concessão como por exemplo o Pacaembu e o autódromo de Interlagos. Ele está procurando receita para colocar a casa em ordem. Em oito meses, temos ações pontuais, interessantes mas temos que esperar as ações surtirem efeitos”, concluiu Cury na entrevista.
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