Manifestação pela prisão de Lula reúne 200 em Botucatu
O ato ocorreu em frente à Catedral Metropolitana e foi organizado pelo movimento Vem pra Rua
da Redação
O julgamento do pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula pelo Supremo Tribunal Federal (STF) motivou a manifestação aproximada de 200 pessoas em Botucatu, na noite desta terça-feira, 3 de abril. O ato ocorreu em frente à Catedral Metropolitana e foi organizado pelo movimento Vem pra Rua, concomitantemente com outras 40 cidades do país.
O grupo ganhou notoriedade, a partir de 2015, ao organizar atos pedindo o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). Com a deposição da ex-mandatária, o grupo promoveu poucas mobilizações nos escândalos do governo de Michel Temer (MDB). Com a apreciação do pedido de habeas corpus de Lula pelo STF nesta quarta-feira, 4, o grupo novamente ocupou o largo da Catedral. O ex-presidente recorre da condenação de 12 anos por corrupção ativa.
O ato, marcado para as 18h30, começou timidamente devido à chuva que caiu na cidade no período da tarde. Após a execução do hino nacional, o grupo iniciou uma sessão de discursos com líderes do movimento e populares. Entre as questões estavam políticas sociais, eficácia do processo eleitoral- alguns manifestantes colocaram em xeque a inviolabilidade das urnas eletrônicas-, além de citar uma possível “partidarização” do Supremo Tribunal Federal. Alguns manifestantes ainda empunhavam adesivos de apoio à Operação Lava Jato.

Um dos discursos mais inflamados e efusivos foi da vereadora Jamila Cury Dorini, do PSDB, que atribuiu parte da crise brasileira à gestão dos ex-presidentes Lula e Dilma. “Esse povo, a que me refiro sempre que vou na tribuna da Câmara e que, já fui ameaçada, quer destruir a família brasileira. Os esquerdopatas, os comunistas, que preparados por essa corja que há anos vem trabalhando para destruir a família. Essa minoria que só faz barulho, que mude para a Venezuela”, declarou. Ao final do discurso, uma das manifestantes presentes criticou a ausência de outros parlamentares da base partidária de Jamila ou outro posicionamento ideológico.
Mônica Mazzini Silva, líder do Vem pra Rua, em Botucatu, salientou que a manifestação não teve caráter partidário, mas sim objetivou a pressão aos ministros do STF para a prisão imediata após a condenação em segunda instância de Lula. “Viemos com a intenção de mobilizar a população nesta questão, não só quanto ao Lula, mas reforçar o combate à corrupção. O movimento não defende bandeiras ideológicas, seja de esquerda ou direta, mas busca construir um discurso de necessidade da ética, democracia e eficiência do Estado”, ressalta.
Para ela, o momento passa a ser de extrema análise quanto ao cenário político que se instala e, terá consequências nas eleição presidencial de 7 de outubro. “O Vem pra Rua não apoia nenhum desses nomes que se apresentam como pré-candidatos a presidente”, completou a líder do movimento.

