Companhia Cênica estreia em Botucatu “Boi Material”, com sessões e oficinas gratuitas

Ponto de partida foi a investigação sobre o paradoxal e complexo signo do boi

Da Redação

A companhia rio-pretense Cênica retorna a Botucatu neste feriado, desta vez com o espetáculo BOI MATERIAL, resultado da parceria artística com o encenador e dramaturgo convidado Pedro Kosovski, fundador d’Aquela Cia de Teatro (Rio de Janeiro). O artista assina direção e dramaturgia, esta em coautoria com Fagner Rodrigues. A montagem faz duas sessões gratuitas no Galpão da Casa da Juventude, dias 30 de abril (quinta) e 1º de maio (sexta-feira), às 19h30, com acessibilidade em Libras. Os lugares são limitados e a retirada de ingresso é no local 1 hora antes do início do espetáculo, por ordem de chegada.

BOI MATERIAL se passa em uma feira de exposição, quando um grupo de artistas é contratado para entreter o espetáculo e se percebe como parte da complexa engrenagem que reproduz um jogo de poder, cujos movimentos incidem diretamente contra as existências vivas do planeta. Durante um leilão de gado, que ironicamente perpassa a iconografia do boi na história da pintura brasileira, o grupo subverte o jogo, ora assumindo o papel dos donos da terra, ora especulando sobre um levante.

 

O elenco conta com Andrea Capelli, Beta Cunha, Christina Martins, Deivison Miranda, Fabiano Amigucci, Geovanna Leite, Glauco Garcia, Mayk Ricardo, Simone Moerdaui e Vanessa Palmieri. Na direção musical e composições inéditas, Felipe Storino. A direção vocal é de Everton Gennari e a direção de movimento, de Mayk Ricardo.

O ponto de partida para BOI MATERIAL foi a investigação sobre o paradoxal e complexo signo do boi. De um lado, ele representa o poder fundado na lógica patriarcal, machista, autoritária, predatória e exploradora que se impõe sobre as diversas formas de existência, consideradas meros recursos dos quais “se aproveita até o berro”. De outro, representa uma potência coletiva, criativa e transgressora, que pode ser observada no modo como a cultura popular, as comunidades menorizadas e a arte invertem e subvertem as normas vigentes para continuarem existindo e pulsando como vida.

“A figura do boi também cria um horizonte de visibilidade e debate sobre o lugar dos artistas no interior, também inscrito nessas ambivalências. A distância dos grandes centros de cultura os aparta sob alguns aspectos, especialmente pela manutenção de estereótipos que fazem subestimar suas potencialidades. Contudo, ajuntamentos artísticos interioranos seguem resistindo e desorganizando tais estereótipos por meio da sua arte, de seus modos de produção e da criação e fortalecimento de redes de articulação e afeto”, considera a equipe artística de forma conjunta.

A cenografia (por Lidia Kosovski) e os figurinos (Fabiano Amigucci) iniciais contribuem para a sobreposição de outra camada de significação do espaço e do grupo de artistas ao apresentarem uma visualidade que remete a um frigorífico – mais uma estação desse sistema, que denota assepsia e ordem, onde artistas são artistas, são trabalhadores, são os próprios bois.

A partir do momento em que elementos do grupo assumem o papel de figuras que alegorizam os donos da terra e, por outro lado, figuras míticas de poder, surge mais uma camada de atuação, também expressa nas transparências presentes em seus figurinos estilo agro, inspiradas nos cortes de carne bovina e que evidenciam partes dos corpos dos atuantes.

A dramaturgia não possui um caráter linear, entretanto se equilibra sobre um fio cujo percurso está enunciado nos corpos, nos figurinos e nas transformações que acontecem com e sobre o espaço, cujo sentido é a imaginação de um mundo possível.

Bate-papo e oficina

Sempre após as sessões de BOI MATERIAL, acontece o bate-papo “Sobre mundos possíveis”, entre artistas e público, num diálogo para tratar sobre o espetáculo, seus temas e o processo de criação.

Já dia 1º de maio, às 15h, também no Galpão da Casa da Juventude, a companhia Cênica oferece a oficina gratuita “BOI MATERIAL – reflexões e práticas sobre a potência da coletividade”. Na oportunidade, a atriz Beta Cunha compartilha procedimentos artísticos desenvolvidos a partir do encontro entre o elenco criador e Pedro Kosovski, numa ação voltada a artistas, grupos, estudantes de teatro e pessoas interessadas a partir de 16 anos. As inscrições são pelo formulário https://forms.gle/yYstpeqnVGoUfmht9.

SERVIÇO

Espetáculo – BOI MATERIAL

Quando: 30 de abril e 1º de maio – quinta e sexta, 19h30

Onde: Galpão da Casa da Juventude – Rua Benjamin Constant, 161, Vila Jahu – Botucatu/SP

Ingressos: grátis, com retirada 1h antes do início do espetáculo

Autoclassificação: 16 anos

Duração: 90 minutos

Acessibilidade: Libras

Instagram: _cenica

Oficina – BOI MATERIAL – reflexões e práticas sobre a potência da coletividade

Quando: 1º de maio, sexta, 15h

Onde: Galpão da Casa da Juventude – Rua Benjamin Constant, 161, Vila Jahu – Botucatu/SP

Duração: 2 horas

Público-alvo: artistas, grupos teatrais, estudantes de teatro e demais pessoas interessadas a partir de 16 anos

Inscrições gratuitas: https://forms.gle/yYstpeqnVGoUfmht9