Metodologia
No estudo, os pesquisadores dividiram os voluntários, todos eles sedentários, em dois grupos. Parte realizou treinos de musculação duas vezes por semana, ao longo de quatro meses. O treinamento tinha como foco exercícios de leg press e extensão de pernas (duas a três séries de 12 repetições).
Já o outro grupo, além das duas sessões semanais de musculação, realizou quatro treinos do tipo HIIT (composto por sequências rápidas de exercícios muito intensos intercaladas com períodos curtos de descanso) por semana. O protocolo consistia em tiros de corrida em esteira com intervalos longos.
As respostas moleculares foram monitoradas em diferentes etapas do treinamento, como a realização de biópsias do músculo vasto lateral em diferentes semanas e o acompanhamento das alterações ocorridas na síntese de novas proteínas musculares ao longo do tempo.
Embora o ganho de músculo tenha sido o mesmo nos dois grupos, o ganho de força de fato foi menor entre os que realizaram as duas modalidades de treino. “E talvez daí venha a crença de que o treino combinado prejudicaria a formação de músculo”, avalia Ugrinowitsch.
De acordo com o pesquisador, a diferença do ganho de força no treino combinado não tem relação com a síntese proteica, mas sim com um fenômeno de base neuromuscular. “Existem dois fatores associados para a produção de força: o ganho de músculo e a ativação cerebral. É como se o treino aeróbico criasse uma fadiga na comunicação entre o cérebro e o músculo. Na hora do esforço máximo, o sistema nervoso não consegue recrutar as fibras com a mesma capacidade”, explica.
A investigação contou com apoio da FAPESP por meio de dois projetos (15/19756-3 e 14/00985-0).

