Cineclube Paratodos traz programação de filmes que abordam o racismo
Iniciativa utiliza o cinema como instrumento de reflexão crítica e valorização da cultura negra
Da Redação
O Cineclube Paratodos e o Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão da Faculdade de Medicina de Botucatu (NUPE/FMB/Unesp) realizam uma programação conjunta em referência ao Novembro Negro, com sessões de cinema e debates sobre questões relacionadas à população negra.
A iniciativa utiliza o cinema como instrumento de reflexão crítica, valorização da cultura negra e enfrentamento ao racismo. A curadoria reúne produções que abordam diferentes histórias e experiências, com temas como saúde, racialidade, sexualidade, identidade, gênero, religiosidade e ancestralidade.
Para ampliar as discussões, o NUPE convidou coletivos e representantes de diferentes áreas para participar dos debates realizados após as sessões. A proposta é promover o diálogo e aprofundar a reflexão sobre os assuntos apresentados nos filmes.
As atividades serão realizadas no Cineclube Paratodos, localizado na Rua Pedro Delmanto, 677, no Jardim Paraíso, em Botucatu.
A programação integra as atividades do Novembro Negro, período dedicado à valorização da história, da cultura e das contribuições da população negra, além da discussão sobre o combate ao racismo.
Confira a programação:
05/11
Temporada, André Novaes
Brasil, 2019, Drama, 1h53 O filme acompanha Juliana (Grace Passô), uma mulher que se muda da cidade de Itaúna para Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Em seu novo trabalho como agente de combate a endemias (focado no controle da dengue), ela visita diversas residências e passa a interagir rotineiramente com os moradores locais.
Enquanto aguarda a chegada do marido — que ficou para trás no interior — e lida com as dificuldades em seu relacionamento e com seu próprio passado, Juliana vive um processo silencioso de autodescoberta, amadurecimento e afeto ao criar novos laços com o cotidiano simples ao seu redor.
Debate sobre Saúde e racialidade com Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão da Faculdade de Medicina de Botucatu (NUPE).
12/11
Madame Satã, Karim Aïnouz
Brasil, 2002, Drama, 1h45
A trama se passa no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, no ano de 1932. João Francisco é um homem negro, homossexual, ex-presidiário, cozinheiro e capoeirista que luta para sobreviver e sonha em se tornar um grande artista de palco.
Após sair da prisão, ele divide a vida com sua “esposa” (a prostituta Laurita), a filha dela (Firmina), o amigo e cúmplice Tabu, o amante Renatinho e Amador (dono do bar Danúbio Azul). O filme acompanha o cotidiano difícil, as festas, as brigas e a força do personagem até a criação de seu alter ego artístico, inspirado em um filme de Cecil B. DeMille de 1932 chamado Madame Satã.
Debate sobre Sexualidade e identidade com Lê França do Coletivo V Trans de Botucatu.
19/11
Não existe almoço grátis, Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel
Brasil, 2026, Documentário, 1h14
O filme acompanha Socorro, Jurailde e Bizza — líderes de uma Cozinha Solidária do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) na favela do Sol Nascente, no Distrito Federal — enquanto preparam refeições em grande escala para a posse do presidente Lula em Brasília, no dia 1º de janeiro de 2023, em meio a tensões políticas e ameaças de golpe. Debate sobre Gênero e Racialidade com Thalita Tavares da Casa Ana Rosa.
26/11
Exu Rei – Abdias Nascimento, de Bárbara Vento
Brasil, Curta metragem, Documentário, 23 min
O filme dialoga com a influência do arquétipo de Exu — considerado o orixá da comunicação, guardião das ruas e do comportamento humano — na cultura negra e na sua assimilação pela arte brasileira. Em seu subtexto, a obra incorpora o espírito combativo do ator, poeta, dramaturgo e político Abdias do Nascimento. Debate sobre Religiosidade e ancestralidade com Thiago Alves da Associação Ubuntu.
27/11
O Nó do Diabo, de Gabriel Martins
Brasil, Terror, 2h08
O longa-metragem é estruturado em cinco contos de horror que se passam no mesmo local: uma antiga fazenda de cana-de-açúcar e engenho na Paraíba. A trama atravessa mais de duzentos anos de história (de 1818 até os dias de hoje), utilizando o gênero do terror para explorar a herança da escravidão, o racismo estrutural e as violentas relações de classe e de trabalho no Brasil. Em cada um dos segmentos, diferentes personagens enfrentam a morte e o peso de um passado de crueldade que parece impregnado nas paredes da fazenda e nunca se desata.
Debate com Núcleo Negro para Pesquisa e Extensão da Faculdade de Medicina de Botucatu (NUPE).
A sala possui 35 lugares, distribuídos em 25 vagas com necessidade de inscrição prévia para garantia de certificado e 10 vagas que serão liberadas por ordem de chegada. A reserva online é válida até as 19h15. Após esse horário, as vagas não ocupadas serão liberadas ao público presente.
As inscrições deverão ser realizadas para cada sessão pelo link na bio do Cineclube Paratodos.
28/11 – Sessão Extra Programação
coração-PALAVRA
filme-ensaio de curta metragem por bagadefente
Brasil, 2026, aprox. 20 min A partir de fitas antigas, registros domésticos e imagens acumuladas ao longo de quase duas décadas, coração-PALAVRA é um filme-ensaio sobre memória, passagem do tempo e paternidades — no plural. O que começa como o registro despretensioso de uma viagem de carro se transforma em uma investigação sobre os vínculos entre pais e filhos, atravessando relações biológicas e afetivas, transformações familiares e diferentes formas de aprender a cuidar. Ao revisitar imagens do passado e colocá-las em diálogo com o presente, o filme propõe uma reflexão sobre o que transmitimos entre gerações, o que reinventamos e o que permanece em nós.

